
Aproximei-me da sua cama, estava de olhos fechados silencioso; estava a dormir. A Lua já se levantava alto no céu nublado, embora a sua luz conseguisse tocar nas delicadas folhas das árvores, e alguma dela entrar pela janela do nosso quarto. A escuridão temperava os meus sentimentos, mas ele estava seguro. Aproximei-me ainda mais, reduzindo a minha distância entre aquele respirar suave, o levantar lento do seu peito, o movimento vital que me dizia que vivia. Planei sobre o seu corpo, aterrando ao seu lado, suave e cuidadoso para não o acordar, porém a sua mente sentiu-me, o seu corpo marcado pela saudade sentiu que algo pelo qual ansiava estava ali, ao seu lado.
“Vieste.” Murmurou, abrindo lentamente os olhos, com medo de ser apenas uma ilusão.
“shh…” os meus dedos tocaram nos seus lábios silenciando-o e acalmando-o, “ dorme, eu estou aqui.”
O seu corpo movimentou-se, vagarosamente, com cuidado para não arruinar o sonho que lhe era tão querido, tão desejado. Pousou o seu braço à volta da minha cintura, o outro seguiu para o meu pescoço. Olhava-o nos olhos, conseguia ver a sua avidez, o seu desejo negado durante este tempo todo.
O seu toque era quente, suave, acariciava-me a pele do rosto e tal toque parecia queimar, queimar com a culpa de o ter deixado, queimar com o desejo que sabia arder no seu peito e eu não estar aqui para o satisfazer. Queimava, queimava não só na minha pele mas no íntimo do meu ser. Tenho que o acalmar, tenho que o apaziguar.
Percorri com a minha mão o caminho do seu braço que me cingia a cintura, suave e lentamente chegando até ao ombro, ele estremeceu, não de frio mas de prazer. Desapoiei a minha cabeça do outro braço e embrenhei a minha mão no seu cabelo negro. A sua pele branca, em contraste com o seu cabelo era a mais bela das combinações. Mantendo uma mão na sua nuca, desci a outra até ao fundo das suas costas, com uma ligeira força aproximei o seu corpo do meu. Sem tirar os meus olhos de prata dos seus fixei o seu olhar desejoso à medida que aproximava o meu rosto. Os nossos lábios tocaram-se, suave por breves momentos, o prazer e o desejo aumentava em cada um dos nossos corpos. Movi os meus lábios combinados com o seu desejo e beijei-o, beijei-o como se não existisse o amanha, beijei-o como se não o sentisse há décadas, beijei-o. Ele respondeu ao meu beijo do mesmo modo, do mesmo modo ávido de prazer, senti as suas mãos moverem-se no meu corpo, por de baixo das vestes que trazia. Vestes horrendas que nos separavam. Deslizei por cima do seu corpo apoiando-me nos dois braços não deixando que o meu peso se abatesse sobre ele. Aninhei-me nos meus joelhos em cima da cama, retirei a camisola que me encobria os contornos do meu corpo. Reparei que ele já não tinha roupa, estava À minha espera, ele sabia que eu voltaria, que voltaria para o acalmar, para acalmar aquele desejo que lhe ardia no peito, assim como ardia no meu.
Os nossos corpos tocaram-se, pele marmórea com pele marmórea, formando uma mancha branca na cama vermelha, os nossos movimentos ritmados à música um do outro, como uma dança, uma coreografia há muito treinada e assimilada. Conhecíamos o corpo um do outro, sabíamos onde tocar, onde acariciar, onde beijar.

A noite seguiu lá fora, com o luar entrecortado pelas nuvens que se passeavam no céu nocturno. A escuridão pálida do exterior era uma tela pintada na janela; as paredes de pedra, as lajes do chão, eram não mais que um cenário, um cenário que correspondia às nossas mentes aos nossos espíritos, aos nossos corpos. O frio não nos incomodava, frio era o que havíamos sentido durante toda a nossa existência. As cortinas esvoaçavam com o vento que soprava no exterior, parecendo fantasmas, silenciosas testemunhas. A noite prosseguiu.
Sem comentários:
Enviar um comentário